O Ateneu

Considerada uma das mais importantes obras da literatura brasileira, “O Ateneu” era o nome do colégio de maior prestígio na época escolar de Sérgio, personagem principal da obra. A excelência do colégio atraía alunos não apenas do Rio de Janeiro, mas de diversos outros estados que conheciam a fama do local. O pai de Sérgio, ao levá-lo para o internato lhe pede que tenha coragem para a luta, pois lá ele descobriria o mundo. O garoto entrou no colégio interno dirigido pelo senhor Aristarco aos onze anos de idade e, sentindo-se só e temeroso pelo tom profético de seu pai, chorou. Aristarco Argolo dos Ramos passa, num primeiro plano, a imagem da perfeita fusão de um educador e empresário, a personificação do que significaria dedicar-se aos alunos. Quando observado mais a fundo, no entanto, era possível enxergar nele quase palpável egocentrismo, vaidade e autoritarismo. Já adulto Sérgio passa a recordar-se de suas memórias referentes ao período de dois anos em que estudou lá, e como tudo foi marcante para ele.

A chegada ao novo colégio

Livro O Ateneu

Imagem: Reprodução

Entrar num colégio de tamanha importância era uma grande novidade para o garoto Sérgio que, durante boa parte de sua infância vivida até então, havia estudado apenas em casa e numa escola simples e pequena. Conheceu muitas crianças na nova escola, fez amizades – e inimizades também – que levaria para o restante de sua vida. Franco era um destes desafetos, menino de gênio forte e comportamento questionável que acabou se desentendendo com Sérgio e jogou no tanque cacos de vidro para machucar todos os que se banhassem no dia seguinte. Por sorte a água foi trocada e ninguém se feriu.

Barreto também era aluno interno do colégio Ateneu, um fanático religioso que costuma dizer que as mulheres eram demônios. Certa vez, após esta declaração, dois homens brigaram entre si pelo amor de Ângela, camareira do senhor Aristarco. Um deles faleceu e o outro foi preso, o que fez Sérgio lembrar da afirmação de Barreto e pensar que, de fato, ele poderia ter razão.

Passou a frequentar a biblioteca do colégio, interessar-se pelos livros, e assim fez dois amigos: Bento Alves e Júlio Verne. Ambos eram mais velhos que ele, e num ambiente totalmente novo e diferenciado para quem estava acostumado a lidar com poucos colegas e ser sempre protegido pelo afago materno, os novos amigos lhe passavam a segurança que buscava. Bento, o bibliotecário, em especial, nutria por Sérgio uma afeição quase fraternal, protegendo-o de tudo que poderia lhe fazer mal. O ano escolar não estava sendo fácil para o novato, que tinha severa dificuldade em se adaptar às matérias e nova rotina. Bento ajudou Sérgio a recuperar seu rendimento escolar e conseguir finalizar o ano letivo.

Durante as férias escolares eles se encontravam, brincavam e colocavam a conversa em dia. Sérgio refletia sobre o mundo externo, o papel da religião, a tristeza e melancolia que o Ateneu lhe transmitia. O ano seguinte reiniciou as aulas, mas a amizade deles não era mais a mesma. Inesperadamente, ao avistar Sérgio, Bento passa a agredi-lo, fazendo ambos rolarem no vão da escada. O bibliotecário então saiu da escola e Sérgio perdeu seu amigo.

Sérgio dedicou-se ainda mais aos estudos e fez um novo grande amigo que se chamava Egbert. Trata de um garoto de origem inglesa que desperta grande admiração em Sérgio, pelo seu bom coração e senso de responsabilidade. Tornam-se inseparáveis e crescem juntos nos estudos. Como prêmio pelas boas notas que obtiveram, são convidados para jantar na casa do senhor Aristarco. Após o jantar, Sérgio não tira da mente Dona Ema, esposa do diretor do colégio Ateneu. Passa a enxergá-la como mulher, de forma que nunca havia enxergado ninguém antes. Sua visão de Egbert também muda, e a amizade de ambos se torna cada vez mais distante.

A mudança para o dormitório dos garotos mais velhos terminou de afastar os amigos. Agora, juntamente com os novos companheiros de quarto, Sérgio tinha fantasias sensuais com Ângela, a camareira. O jovem começava a descobrir-se.

O reencontro

Após uma das festas do colégio Ateneu para encerrar as atividades letivas do ano, Sérgio adoece e descobre padecer de Sarampo. Seu pai enfermo havia viajado para a Europa com toda a família, deixando o garoto sem outra opção que não fosse permanecer na enfermaria do colégio durante as férias. Dona Ema cuidou dele com afinco, despertando-lhe uma doçura maternal misturado com erotismo e lhe causando grandes conflitos internos.

Numa manhã Sérgio escuta um grito e corre para abrir a janela. O garoto fica pasmo ao ver que o colégio Ateneu está em chamas. Dona Ema havia desaparecido no incêndio, e desconsolado o senhor Aristarco assistiu sua obra sucumbir ás chamas.

Sobre o autor do livro O Ateneu

Raul Pompéia publicou “O Ateneu” em 1888, tornando Sérgio eu alter-ego, transferindo para o personagem sua personalidade, suas opiniões e frustrações, já que o autor também estudou no Colégio Abílio, internato conhecido do Rio de Janeiro na época.