Alves & Cia.

“Alves & Cia.” é uma obra do escritor português Eça de Queirós, lançada no ano de 1925, algum tempo após a morte do autor. Eça se tornou conhecido mundialmente como um dos mais importantes contribuintes para a Literatura Portuguesa, possuindo em seu nome diversas obras primas como “O Crime do Padre Amaro” e “Os Maias”. “Alves & Cia.” não chegou a fazer estrondoso sucesso como os exemplares citados, mas foi muitíssimo bem recebido pelo público e pela crítica. Afinal, com leveza e pitadas de bom humor, Eça de Queirós tratou de um assunto ao qual muitos ficam desconfortáveis para comentar – e na época em que foi publicado, era considerado um grande tabu – o adultério.

De amigos a estranhos

O título do livro já poderia ser considerado uma ironia. “Alves & Cia.” era o nome da companhia mantida pelos amigos e sócios Machado e Godofredo Alves. Eles eram muito unidos, a empresa caminhava bem, conheciam e conviviam com as famílias um do outro, e tudo parecia se manter em plena harmonia e normalidade.

No entanto, uma sombra pairou sobre a cabeça dos amigos. No dia em que Ludovina, a esposa de Godofredo Alves, fazia aniversário, seu marido chegou a casa e a flagrou justamente com seu sócio e amigo, Machado. Totalmente transtornado, Alves se indigna e discute com seus traidores. Acaba por expulsar Machado de sua casa, e Ludovina para a casa de seu pai. O sogro de Alves era um homem interesseiro, que em momento algum se decepcionou com a atitude da filha, mas alegrou-se por saber que ela moraria com ele e receberia pensão de Alves.

Alves & Cia.

Foto: Reprodução

Buscando compensação

Enquanto isso, Alves propõe tirar na sorte com Machado para que um dos dois se suicide. A proposta ocorre diante de Machado e de muitas outras testemunhas, as quais se riem e acham absurdamente ridícula tal idéia. Alves então argumenta que devem de alguma forma duelar: primeiramente seria de pistola, mas desistiram; então se imaginou um duelo de espadas; terminaram por desistir de duelar e cada um seguir seu rumo.

O perdão

Apesar do ocorrido, era necessário manter o profissionalismo, e assim os ex amigos continuaram com a sociedade. O ambiente que já fora sinônimo de alegria e entusiasmo agora era de frieza e decepção.

Como não há mal que perdure para sempre, Alves se reconcilia com Ludovina e recupera a amizade com Machado. A empresa dos amigos e sócios passa a prosperar ainda mais e Machado casa-se, enviúva, casa novamente e segue a própria vida. O trio permanece unido e feliz, mas sem jamais conseguirem esquecer do episódio que momentaneamente os separara.