Os Maias

“Os Maias” do escritor português Eça de Queirós é leitura obrigatória para quem deseja passar com louvor num vestibular disputado ou melhorar as notas de Literatura na escola. Sua importância é tamanha, pois Eça é considerado dentre os autores de ficção em língua portuguesa, um dos mais relevantes. A obra se torna ainda mais interessante ao revelar-se uma análise – algumas vezes crítica – da alta sociedade de Lisboa, sendo denominada por Eça como “cenas da vida portuguesa”. “Os Maias” faz parte de uma trilogia, composta ainda por “Primo Basílio” e “O Crime do Padre Amaro”, que também retratam em alguns trechos a vida da burguesa portuguesa e o conflito de valores com os mais humildes. De forma muito forte para alguns, o escritor utilizou o livro para criticar a hipocrisia e os vícios daquela sociedade. O principal papel do livro acaba sendo o de forçar o leitor a refletir sobre os ócios e virtudes que fazem parte da vida de cada indivíduo, e como o papel da sociedade é capaz de moldá-lo.

Os Maias

Foto: Reprodução

Triste vida e morte

Pedro da Maia era filho único de Afonso Maia, um rico e nobre proprietário. Dona Maria Eduarda Runa, esposa de Afonso, deu ao filho uma educação exacerbadamente rígida e religiosa, criando um garoto assustado e de caráter fraco. Quando se torna adulto, mesmo contra a vontade de seu pai, Pedro acaba por casar-se com Maria Monforte, filha de um antigo negreiro e com quem teve duas crianças, uma menina e um menino.

Para infortúnio de Pedro, sua esposa conhece Tancredo, um príncipe italiano, apaixona-se e acaba por fugir com ele levando Maria Eduarda, sua filha. O menino filho do casal, Carlos, é deixado para trás e fica com o pai. Pedro da Maia nunca foi razoável ao lidar com perdas, sempre fora um garoto melancólico, deprimido. O estado agravou-se quando sua mãe faleceu, e perdendo agora a esposa que tanto amara, não sabia como suportaria. E de fato, não suportaria. Desiludido com a vida após ter sido deixado tão bruscamente e sequer saber o paradeiro da filha que foi levada por sua esposa juntamente com o amante, acaba por cometer suicídio, deixando Carlos para ser criado por seu pai, o senhor Afonso.

O avô cria Carlos com todo o zelo e carinho possíveis, dando uma forte educação britânica que pudesse preparar o rapaz para os melhores empregos e estudos, e apenas depois focando em religião. Posteriormente, o rapaz iria para Coimbra estudar Medicina, tornando-se então um médico formado.

O retorno e o reencontro

Após finalmente formar-se, Carlos retorna para Lisboa, onde decide exercer com afinco sua profissão. O status de médico lhe rendeu muitas paixões e o rapaz não tinha pudores em relacionar-se com diversas mulheres, mesmo as casadas, provocando profunda reprovação em seu avô. Entre suas amantes estavam Madame Castro Gomes e Gouvarinho.

Carlos é educado pelo avô, Afonso, que segue a doutrina britânica. Após formar-se em Medicina, ele regressa a Lisboa, exercendo a sua profissão com gosto e mantendo relações amorosas com mulheres casadas como a condessa Gouvarinho e Madame Castro Gomes.

Madame Castro Gomes era uma moça muito bela, e quando a conheceu Carlos não poupou esforços em saber mais sobre ela. Fica encantado e passa a segui-la, sem êxito. Para sua felicidade, consegue uma aproximação com Madame na ocasião em que sua governanta adoece ela chama o médico para que a diagnostique e a trate. Castro Alves era ausente, e assim Carlos e a Madame passaram a encontrar-se sempre que podiam, como amantes.

Sem conseguir mais esconder seu desejo e necessidade em estar com Madame, Carlos acaba comprando uma casa para instalá-la e encontrarem-se tranquilamente, mas é descoberto por Castro Gomes. Para a surpresa do médico, segundo Castro, Madame não era sua esposa, e sim sua amante, então Carlos poderia ficar com ela sem maiores problemas.

Passado revelado

Tudo parecia bem entre o casal, até que chega um emigrante de Paris dizendo ter conhecido a mãe de Madame, que na realidade se chamava Maria Eduarda. Ele buscava a moça para lhe entregar um cofre de sua mãe que, conforme o contou, possuía documentos que a identificariam e lhe renderiam uma boa herança. A mãe de Maria Eduarda era Maria Monforte, assim, mãe também de Carlos. O casal de amantes na realidade eram irmãos.

Carlos toma conhecimento da verdade antes de Maria Eduarda e decide esconder o que sabe, mantendo abertamente o relacionamento entre eles. Ao descobrir que o neto ao qual criou cometia incesto conscientemente, Afonso da Maia acaba por morrer de desgosto.

Maria Eduarda acaba descobrindo toda a verdade sobre seu passado e, agora rica pela sua herança, parte para o estrangeiro, abandonando Carlos que, para se distrair, decide correr o mundo.