O Triste fim de Policarpo Quaresma

O título do famoso livro de Lima Barreto por si só já indica a sina do personagem principal de acordo com o nome que este carrega: Policarpo Quaresma – uma vez que poli significa muito, carpo significa sofrimento e dor, e quaresma representa o período de penitência e resguardo de 40 dias pós carnaval. Trata-se de um patriota inveterado que carrega em si um amor enorme e sublime pelo Brasil, o que o faz, por sua vez, ser motivo de chacota para muitos pobres de espírito e cultura.

A busca de Policarpo em aprofundar-se pelo Brasil

Livro O triste fim de Policarpo Quaresma

Imagem: Reprodução

Conhecido como Major Quaresma, Policarpo vivia no Rio de Janeiro com sua irmã, Adelaide. Funcionário do Arsenal de Guerra, ele chamava a atenção da vizinhança por sua pontualidade extrema em chegar e sair de casa, e pelas tantas horas que resguardava de seu tempo livre para aprofundar seu conhecimento sobre o Brasil, fazendo um estudo minucioso de cada livro, embora não estivesse cursando faculdade alguma.

A redondeza maldosa deixou de comentar apenas os horários e estudos de Policarpo, e passou a desdenhar também das visitas que o personagem recebia de Ricardo Coração dos Outros. Policarpo acreditava que o violão era a expressão máxima do espírito nacional, e por isto decidiu dedicar-se com afinco a aprender o instrumento. Ricardo era um músico apaixonado pela arte, e foi incumbido de ensinar Quaresma a dedilhar o violão. No entanto, a elite da época via com maus olhos o costume de tocar violão, encarando este hábito como sinônimo de vadiagem e boêmia, o que poderia levar qualquer um a dormir numa cela de cadeia. Assim, Policarpo passou a ser ainda mais ofendido e motivo de chacota. Esta perseguição não durou muito, pois logo o personagem descobriu que o violão havia chegado ao Brasil pelas mãos dos europeus, e perdeu totalmente o interesse puramente patriota que nutria pelo objeto.

Ao aprofundar seus estudos pelo Brasil, Policarpo Quaresma aprendeu Tupi e acreditou que o mais correto seria todos na pátria aprenderem a falar a língua nativa de seu país. Redigiu à Câmara e às autoridades um documento que requeria a adoção do tupi-guarani como idioma oficial do Brasil. Seu pedido, além de ser prontamente rejeitado, fez Quaresma ser ridicularizado em proporções jamais previstas. Sendo atacado por todos os lados e sofrendo tremenda pressão, por um descuido, escreveu um documento público totalmente em tupi. Além de ser despedido, foi prontamente levado para um hospício.

O triste fim

Ao ser liberado do hospício, Policarpo decide comprar um pedaço de terra no interior e viver da agricultura. Seu patriotismo o fazia pensar que a terra fértil do Brasil seria suficiente para que pudesse viver bem e sonhar com uma reforma agrária. Ledo engano. Com o passar do tempo o personagem descobre nas formigas inimigos infindáveis e incansáveis, percebe que o solo não era o que ele de fato imaginava e, para piorar, seu patriotismo o faz ganhar poderosos inimigos políticos.

Quando estoura a reforma da Marinha, Quaresma não hesita em oferecer seu apoio a Floriano Peixoto, o presidente. Abandona o sítio Sossego, em Curuzu, e segue para a capital. A revolta dura meses, os quais o sítio fica em situação de total abandono. Numa troca de cartas com a irmã Adelaide, o personagem deixa transparecer sua desilusão com a reforma, e mostra que em combate acabou por ser ferido.

Como último ato, completamente desiludido e decepcionado com sua pátria amada, Quaresma escreve uma carta às autoridades nacionais, relatando tudo o que pensava sobre o Brasil, sobre a potência que o país tinha em tornar-se glorioso, suas vantagens e o governo corrupto que o afundava. A consequência de sua atitude foi ser levado preso e condenado à morte, pelo país que tanto amou sem sequer ter chance de defesa.