O Santo e a Porca

O Santo e a Porca é obra do escritor brasileiro e paraibano Ariano Suassuna. Grande romancista, poeta e dramaturgo, Suassuna tornou-se conhecido por ser um dos maiores defensores da cultura nordestina – o que fica bem claro em outra de suas obras: “O Auto da Compadecida”. Como não poderia deixar de ser, O Santo e a Porca também retrata de bom humor e com leveza a forma da cultura nordestina de se manifestar até mesmo nas economias de seu povo. Inicialmente, a obra tratava-se de uma peça teatral, cujo tema principal era a avareza, estimulando o leitor a refletir sobre a maneira do ser humano se relacionar com o mundo espiritual (representado na obra por Santo Antônio) e com o mundo físico (representado pela porca cheia de dinheiro) de forma cômica e divertida. A obra teve como inspiração “Aulularia”, do romano Plauto, mas como foi ambientada para o Nordeste, tornou-se bem diferente da versão original. Seu lançamento ocorreu no ano de 1957.

O Santo e a Porca

Foto: Reprodução

Materialismo e avareza

Euricão Árabe é o protagonista da obra, um velho muito avarento que guardava todas as suas economias – que juntou ao longo da vida – numa porca de madeira. Extremamente apegado ao que é material e financeiro, Eurico se torna devoto de Santo Antônio, acreditando que o Santo teria a função de proteger sua fortuna. No entanto, um susto faz o homem entrar em desespero. Ele recebe uma carta de seu conhecido, Eudoro, na qual ele diz que lhe visitaria e o privaria de seu bem mais precioso. A primeira coisa a pensar quando se fala em tesouro ou preciosidade era o dinheiro contido na porca, e foi justamente o que Eurico imaginou que Eudoro lhe pediria, ficando muito angustiado.

Complô para tomar a porca

Eurico possuía uma empregada chamada Caroba, mulher muito esperta e aproveitadora quando tinha oportunidade. Rapidamente ela entendeu o que Eudoro desejava: não a porca com o dinheiro, mas sim a mão de Margarida, filha de Euricão, por quem Eudoro havia se apaixonado.

Já Margarida, alheia ao que estava acontecendo, mantinha escondido seu namoro com Dodó, filho de Eudoro. Rapidamente Caroba encontra um meio de ganhar dinheiro: casará Margarida com Dodó e Eudoro com Benona – irmã de Euricão, que já fora noiva de Eudoro. Enquanto isso, ela deixa Euricão pensar que o tesouro em questão seria sua porca, e percebe que ele a enterra no cemitério para não perdê-la.

Caroba tranca Margarida e Dodó num quarto, e Benona em outro. Então, disfarça-se e recebe Eudoro como se fosse Margarida. Retira-se e retorna, disfarçada então de Benona, fazendo Eudoro novamente se apaixonar pela antiga noiva. Seduz Eudoro e o tranca no quarto com Benona.

Mal entendido

Enquanto isso, Pinhão – noivo de Caroba – vai até o cemitério e rouba a porca de madeira, levando-a para o quarto da empregada. Euricão sai durante a madrugada e vai para o cemitério buscar sua porca, mas não a encontra. Volta furioso para casa e, ao chegar, percebe Margarida saindo do quarto com Dodó, e imediatamente desconfia de que o rapaz seria o ladrão, começando a brigar com ele.

A briga entre Euricão e Dodô faz um grande barulho pela casa, e todos saem de seus quartos. Pinhão confessa ter roubado a porca, e exige que Euricão lhe dê algum dinheiro para que possa contar onde ela está. Quando o avarento finalmente a recupera, percebe que o dinheiro era muito antigo e já não valia mais. Os casais então se entendem, enquanto Euricão fica só com a porca e sem o dinheiro que tanto tinha guardado, questionando a Santo Antônio o motivo de tamanho azar.