O Guarani

“O Guarani” de José de Alencar é um dos romances da literatura brasileira mais solicitada para as provas de vestibular e cursinhos preparatórios, dada sua ligação com a terra brasileira, com a idealização dos índios e a envolvente história de amor, irmandade, inveja e batalha. A estória tem seu núcleo formado por D. Antônio de Mariz, sua esposa D. Lauriana, os filhos D. Diogo, Cecília e Isabel (sendo esta última mestiça filha bastarda de D. Antônio), Álvaro e o índio Peri. Cecília é uma bela moça, cobiçada por todos, e que certa vez, tendo a vida em risco ao poder ser atingida por uma pedra, foi salva pelo índio Peri, que ganhou a eterna gratidão de D. Antônio e recebeu do mesmo o pedido de que permanecesse por perto numa cabana – além de cativar incontestavelmente o carinho fraterno da bela moça. Peri a chama simplesmente por Ceci, e dedica-se inteiramente a satisfazer todas as vontades dela. Álvaro é um rapaz bem visto nos arredores, e apaixona-se por Cecília, sem saber a irmã bastarda Isabel é apaixonada por ele.

O Guarani

Foto: Reprodução

O acidente que coloca em risco os Mariz

Num dado momento, por acidente, D. Diogo tira a vida de uma índia aimoré, tribo próxima à residência de seu pai. A família decide vingar-se da forma mais dolorosa para a família Mariz: matando a doce e bela Ceci. Peri intercepta a ação e novamente salva a filha de D. Antônio, mas fica evidente o risco que a família sofre e a possibilidade palpável de um novo ataque da tribo. Para agravar ainda mais a situação dos Mariz, Loredano, um dos empregados da casa, descobre que abaixo dela existe uma mina de prata, e passa a planejar se apoderar dela fazendo o que for preciso. O primeiro plano para conquistar seu objetivo é incendiar a casa de D. Antônio e ainda raptar Ceci, mas é escutado por Peri ao combinar o plano com os capangas, e acaba por ser frustrado.

Ao contrário dos demais na casa, D. Lauriana nutre ódio por Peri e considera o índio uma iminente ameaça. Consegue até mesmo convencer o marido a expulsá-lo de lá, mas quando Peri lhes conta sobre o ataque aimoré que se aproxima dos Mariz como vingança pela morte da índia, D. Lauriana decide permitir que ele continue na casa. O índio busca levantar para a vista de todos a traição de Loredano e suas intenções maléficas, até que ele finalmente é descoberto. O empregado traidor decide então organizar um levante contra a casa, onde apenas os empregados fiéis se preparam para protegê-la. Ao mesmo tempo inicia-se o ataque aimoré contra os Mariz, cuja casa passa a sofrer tanto ameaças internas como externas.

A batalha e a redenção

Finalmente Álvaro descobre o amor que Isabel sente por ele, e passa a correspondê-lo. No entanto, o foco de todos é voltado para o confronto com os inimigos. Peri, disposto a fazer de tudo para defender a família Mariz e principalmente Ceci, é acometido por um terrível plano para derrotar os índios aimorés: envenenar a água que os inimigos consumirão e, conhecendo os hábitos de antropofagia – ato de consumir ou mais partes do corpo humano de outrem – decide também tomar do veneno para que, caso o matem, os que não morrerem envenenados pela água sofram o envenenamento pela sua carne, que já estaria totalmente consumida pela substância. O ritual de antropofagia é dado apenas aos inimigos valentes dos aimorés, sabendo disso Peri avança sobre eles e luta bravamente como nunca imaginou ser capaz, para mostrar ser merecedor de ser submetido ao ritual.

Ceci pede a Álvaro que salve Peri e o traga de volta pra casa, e o rapaz parte atrás do índio, alegando que ele deve voltar para salvar Ceci, que precisará dele. Peri volta e confessa a Ceci ter ingerido o veneno para matar a maior quantidade de inimigos possível, deixando a moça atônita e fazendo-a solicitar que ele se mantenha vivo. O índio obedece e parte para a mata em busca da erva que contenha o antídoto do veneno que consumiu. Enquanto isto, Loredano é preso e condenado à morte na fogueira, e muitos traidores caem na armadilha de Peri e morrem envenenados.

Enquanto buscava o antídoto para o veneno que ingeriu, Peri se depara com o corpo de Álvaro, já sem vida. Volta para a casa de Ceci, toma o antídoto e leva consigo o corpo de Álvaro, o qual entrega para Isabel. A bastarda de D. Antônio leva o corpo de seu amado para um cômodo totalmente fechado, espalha ervas aromáticas pelo local e suicida-se em cima dele, morrendo abraçada ao homem que tanto amou.

D. Antônio nota que o ataque dos índios não para de crescer e apenas Ceci tem chances de sair com vida. Solicita a Peri que fuja com a filha, e a embriaga para que ela não veja o que está prestes a ocorrer. Quando Peri e Ceci estão já a uma distância razoável da casa dos Mariz, a moça percebe a explosão que toma conta de sua casa, provocada por seu próprio pai que decide findar com a vida própria e com as vidas dos inimigos. Desconsolada, Ceci decide viver com Peri na selva, e somem no horizonte. Alencar sugere de maneira sutil que passa a existir uma união amorosa entre eles, da qual surgiria a raça brasileira.