O Grande Gatsby

“O Grande Gatsby” é, para muitos, a maior parábola do cultural sonho americano. Trata-se de um livro escrito por F. Scott Fitzgerald e publicado em 1925, retratando a era do jazz, das lindas e exóticas mulheres, de bebedeiras e festanças sem fim – deixando pairar sobre o ar que a vida seria exatamente isso, uma eterna festa. Quase cem anos após seu lançamento, “O Grande Gatsby” é considerado um dos mais importantes livros do século XX em toda a literatura mundial, e obteve ainda mais popularidade ao ter adaptações para o teatro, cinema e ópera. A obra foi um sucesso absoluto tanto entre a crítica como entre o público, pois além de citar os assuntos festeiros já mencionados – e tidos em alguns momentos até mesmo como triviais – a base central da obra acaba sendo o desencontro amoroso entre o próprio Gatsby e a personagem Daisy, contrapondo-se ao materialismo tão efêmero na época em questão.

O Grande Gatsby

Foto: Reprodução

O misterioso Gatsby

A obra se inicia com a narração do personagem Nick Carraway, que se mudou recentemente para Nova York por oportunidades de trabalho. Ele é um homem simples e discreto, que mora em uma humilde e modesta casa, vizinha à luxuosa mansão de Gatsby. A vida de Gatsby deixou Nick intrigado desde o começo: ele se espantava com as festanças constantes dadas pelo vizinho, questionava-se sobre o que ele faria da vida, de onde viria seu dinheiro, e assim se formavam diversas especulações. Nick não era o único a estranhar a vida de Gatsby, pois até os próprios convidados daquele homem tão rico – os quais em sua grande maioria eram ilustres desconhecidos – costumavam reunir-se para especular sobre o misterioso anfitrião.

Passado algum tempo, Nick recebe a notícia de que sua prima Daisy, juntamente com seu marido milionário, se mudaria também para aquela região. Assim que a mudança é concretizada, Nick visita sua prima e tem assim seu primeiro contato direto com Gatsby. Passa a ser convidado para suas festas – as quais frequenta assiduamente – e percebe um comportamento ainda mais estranho, o qual estava disposto a desvendar.

Reencontrando um amor do passado

O personagem Nick descobre que estava certo em achar que algo em Gatsby mudara após o reaparecimento de sua prima. Eles haviam tido um relacionamento no passado, e Gatsby continuava loucamente apaixonado por ela, disposto a tudo para tê-la de volta. Não se deixam dúvidas de que o amor por eles vivido havia sido verdadeiro e recíproco, mas também se tornou impossível pelas circunstâncias que as vidas de ambos tomaram. Ao rever sua amada, após tanto tempo, o extravagante Gatsby conclui que precisa reavê-la de qualquer forma, nutrindo uma obstinação totalmente descabida e desmedida para recuperar o amor de sua vida. Nick acompanha de perto todas as fases desse drama e as consequncias que as atitudes dos personagens envolvidos levariam.

Um ponto alto da obra é a ambientação, a riqueza de detalhes com que cada cômodo e cada espaço é descrito, transportando o leitor diretamente para dentro daquele mundo tão diferente do que é vivido pela cultura brasileira. Ao contrário do que se pode imaginar, Gatsby não usufruía das festanças que promovia como se imaginava, ele pura e simplesmente as promovia para chamar a atenção, sem envolver-se com nenhuma das belas mulheres que ali estavam. Ele tinha um foco, e sabia piamente com quem desejava estar.

Tentativa de retomar uma história antiga

Daisy pode ser considerada uma mulher totalmente à frente de sua época. Era inadmissível para uma mulher envolver-se com mais de um homem em sua vida, mas dada a impossibilidade de continuidade no relacionamento com Gatsby, casou-se com Tom Buchanan, um milionário. Ao reencontrar seu amor do passado – que nesse momento atual a amava muito mais do que era de fato correspondido – notou todos os esforços e medidas tomadas por ele, e novamente se envolveu.

Não se precipite imaginando que a história está finalizada, que Gatsby reconquistou Daisy e viveram o seu “felizes para sempre”. Apesar de todo o glamour, de toda a riqueza, de todo o luxo, o amor não é um sentimento que se compre. E de que vale todos os bens materiais adquiridos se o fundamental – a experiência de viver um amor verdadeiro e pleno – não puder ser conquistado? Esta é a principal questão levantada pelo autor, de que em torno de todo aquele sonho americano, a felicidade não poderia ser encontrada em uma prateleira de conveniências; mas de que, ao mesmo tempo, não se deve jamais desistir de encontrá-la.