O Crime do Padre Amaro

“O Crime do Padre Amaro”, do escritor luso Eça de Queirós, é tido pela crítica como o melhor romance realista português do século XIX e, sem dúvida, um dos melhores de todos os tempos da literatura portuguesa. Trata-se do primeiro grande romance de Queirós, onde o autor critica severamente a sociedade portuguesa mediante os temas: provincianismo e anticlericalismo. Praticamente todos os personagens são apresentados de maneira irônica e sarcástica, sofrendo suas críticas de acordo com a classe que representavam. Como naturalista, o autor apóia-se na ideia de que o homem é moldado e fruto de seu ambiente, do momento histórico em que vive e da carga genética que carrega. Assim, “O Crime do Padre Amaro” acabou se tornando um verdadeiro marco do Naturalismo Português e passou a ser requerido como leitura obrigatória para provas e vestibulares, não somente de Portugal, mas de outros países como o Brasil. É essencial que se leia, ao menos uma vez na vida, essa intrigante obra de Queirós, e recorra-se ao resumo abaixo sempre que for preciso relembrar algum detalhe importante.

O Crime do Padre Amaro

Foto: Reprodução

A carreira de alguém sem vocação

O protagonista da obra é Amaro Vieira, menino de origem humilde, filho de uma criada que faleceu enquanto ele era ainda uma criança. Marquesa de Alegros, patroa de sua mãe, bondosamente o adotou e criou como a um filho, dando-lhe a mesma educação religiosa que dava a suas filhas. Após o falecimento da Marquesa, passou a viver com um tio que se encarregou de encaminhá-lo ao seminário para realizar o sonho de Marquesa de que Amaro se tornasse padre. O garoto não possuía nenhuma vocação para o celibato, mas fez aulas de latim e, ao entrar para o seminário, descobrira que muitos outros garotos eram como ele, sem interesse ou vocação pelo o que estavam ali fazendo.

Nutria os desejos pertinentes à adolescência, sonhando durante as noites com mulheres sedutoras, e vendo na Virgem uma mulher loura e desejável. Era cheio de curiosidade sobre as coisas da vida e do mundo, mas cumpriu o que lhe fora designado e formou-se no seminário.

Foi então enviado para a pequena vila de Leira, onde o nomearam Pároco. Conheceu Amélia, uma bela moça comprometida que facilmente se deixa seduzir por ele. Nasceu uma paixão entre eles, na qual cada um passava seu tempo imaginando o que o outro estaria a fazer, desejando-se nitidamente.

Os encontros da carne

Padre Amaro vivia num meio corrompido, o qual acompanhara desde que entrou para o seminário: mulheres que durante o dia eram beatas e durante a noite eram amantes; padres corrompidos e pervertidos que não respeitavam a lei da castidade, vivendo regados aos prazeres mundanos como qualquer pagão. Amélia, que nunca fora moça de família, não se sentiu incomodada ao tornar-se amante de Amaro, e ambos corrompiam-se sem sentir qualquer peso na consciência.

O que parecia ser terminantemente secreto fora desvendado quando João Eduardo, noivo de Amélia, por sentir ciúmes da atenção que a moça despedia ao padre, decide escrever no jornal da província um comunicado onde criticava e relatava as relações sexuais e românticas que padres e beatas vinham mantendo, desrespeitando o celibato. Ainda, João sugere nomes em seu artigo, sujando a honra de Amélia, que agora era vista por toda a cidade como amante de um homem de Deus.

A polêmica na cidade e o burburinho foram gerais, e entre idas e vindas Amélia acabou por romper o noivado com João Eduardo e tornar-se amante exclusiva de Amaro. Para que ele não perdesse o posto de padre, encontravam-se escondidos, mesmo sabendo que a situação já era de conhecimento geral. A moça acabava tendo crises nervosas algumas vezes, mas nada que prejudicasse o relacionamento.

Fim de vidas por começar

Tudo ia bem, até que Amélia engravida do Padre Amaro. Desesperado, busca uma solução para não ser efetivamente descoberto, chegando até mesmo a supor que a moça deveria casar-se com João Eduardo para que ele lhe assumisse o filho, mas o rapaz havia partido para o Brasil. Para evitar o falatório, Amélia passa a viver enclausurada, sofrendo com tamanha solidão.

Aparece então o abade Ferrão, homem de espírito bondoso e gentil, que cuida da moça paternalmente. Amélia dá à luz, mas acaba falecendo no parto, e seu filho é levado por uma “tecedeira de anjos”, desaparecendo e posteriormente tendo sido dado como morto. Ao chegar para buscar seu filho e saber das mortes, Amaro sente um pequeno remorso, mas segue tranquilamente sua carreira no celibato, apenas cuidando-se para não ser descoberto em novas aventuras. Continuou a ser visto por muitos como um homem de Deus, já que não era possível enxergar em seus olhos toda maldade e sofrimento que causara por seus pecados.