Memórias Póstumas de Brás Cubas

O livro “Memórias póstumas de Brás Cubas” foi escrito por um dos maiores autores da literatura nacional e narra a história de um jovem rico que decide contar sua história após a morte.

Porém, antes de analisar a história e o enredo de um livro ou qualquer outra obra de arte é preciso entender em qual contexto eles foram produzidos, pois um autor nunca está livre das percepções subjetivas criadas pelo contato histórico o qual está inserido. Sendo assim, as características de sua obra muito têm a ver com a realidade.

Contexto histórico

“Memórias póstumas de Brás Cubas” foi escrito por Machado de Assis na segunda metade do século XIX, período que corresponde ao governo de D. Pedro II no Brasil. Considerando isto, é possível especular que Brás Cubas cresce junto com o processo de independência do país e que, portanto, quando chega à fase adulta, mostra a maturidade social do brasileiro.

Quem foi Machado de Assis

Autor autodidata, Machado de Assis é considerado um dos mais importantes escritores da literatura nacional e, além de ter contribuído para a fundação da Academia Brasileira de Letras, ainda foi seu primeiro presidente.

Machado de Assis também se destaca pelo rompimento com o romantismo. Com a obra “Memórias póstumas de Brás Cubas”, o autor rompe com o período regente até então e dá origem ao realismo no Brasil.

Além do realismo brasileiro, o autor, que escreveu outros clássicos como “Dom Casmurro” e “Quincas Borba”, também é conhecido por pincelar elementos modernistas e de realismo mágico antes mesmo que o estilo tivesse sido difundido no país.

“Memórias póstumas de Brás Cubas”

Livro Memórias Póstumas de Brás Cubas

Imagem: Reprodução

Livro publicado em 1881, “Memórias póstumas de Brás Cubas” foi inicialmente publicado no formato de folhetim – história publicada ao poucos em publicações semanais – na Revista Brasileira. A publicação durou de março a dezembro de 1880.

Personagens

Os personagens da história são:

Brás Cubas: protagonista e narrador da história.

Virgília: mulher com quem Brás Cubas se envolve, mas que é casada com o político Lobo Neves, com quem mantém o casamento adúltero.

Quincas Borba: amigo de tempo de colégio do narrador.

Eugênia: filha de D. Eusébia, a garota foi abandonada por Brás Cubas por ser manca.

Marcela: prostituta de luxo que se envolve com o narrador.

Cotrim: marido de Sabina, irmã do narrador.

Nhã Loló: prima de Cotrim que morre antes de se casar com Brás Cubas.

D. Plácida: ex-empregada de Lobo Neves e Virgília que acoberta o caso da mulher com Brás Cubas.

Prudêncio: ex-escravo do narrador que depois de alforriado desconta todas as violências que sofreu em outro escravo.

Resumo do enredo

Brás Cubas é um homem rico que decide, depois de morrer, contar sua história aos humanos – gênero conhecido como sátira menipéia, onde indivíduos mortos se dirigem aos vivos para criticá-los moralmente. Certo de que não será julgado de acordo com os valores morais e éticos da sociedade, o personagem conta sobre a amizade de infância que estabeleceu com Quincas Borba, maldades que fazia com Prudêncio e tentativas de destruir os amores adúlteros de mãe de Eugênia.

Além disso, narra seu envolvimento com Marcela, a prostituta de luxo, e do momento em que, após voltar de uma temporada na Europa, rouba um beijo de Eugênia, mas a abandona por ser manca.

Rico, fútil e desocupado, Brás Cubas encontra Virgília, uma mulher casada que tinha sido seu amor de infância. Os dois começam a ser encontrar com a ajuda de D. Plácida, mas o relacionamento adúltero chega ao fim de forma fria.

Quando conhece Nhõ Loló, prima de Cotrim, Brás Cubas decide se casar, mas a pretendente morre antes de chegar ao altar. Exercendo a carreira política sem talento e praticando atitudes beneficentes sem paixão, Brás Cubas chega ao fim da vida sozinho e amargurado.

Querendo trazer noções como verdade, ciência e razão ao âmbito do debate, o autor narra a história de Brás Cubas, que é metáfora da trajetória humana, com ceticismo e desprezo. A maior prova desta característica é a frase final do livro: “não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”, que explicita a crítica ao gênero humano.