Maria Moises

O livro “Maria Moisés” é uma importante obra da literatura portuguesa, publicada no ano de 1876, escrita por Camilo Castelo Branco. O autor foi romancista, escritor, cronista, dramaturgo, crítico, poeta, historiador e tradutor. Boa parte de seu sucesso se deve justamente à vida atribulada que possuía, já que o sofrimento e drama por diversas vezes lhe serviram de inspiração para suas obras, tornando-o o primeiro escritor de língua portuguesa que pôde tirar seu sustento e sobreviver exclusivamente de seus escritos literários. Para conseguir tal fato era necessário escrever para o público o que fosse de interesse geral, sujeitando-se aos ditames da moda, mas sempre mantendo a originalidade de sua escrita. Tido por muitos como ultrarromântico, Camilo conseguia elaborar histórias mais trágicas e dramáticas que se podia imaginar, muitas vezes comparando-as com sua vida própria.

Resumo do livro Maria Moisés

Foto: Reprodução

Pela dita popularidade que conseguiu durante sua vida – e continuamente após seu óbito – Castelo Branco escreveu muitas obras de sucesso, mas dentre todas, “Maria Moisés” é a mais aclamada, sendo até hoje alvo de provas importantes e vestibulares. Assim, é importante conhecer detalhes da obra e estudá-la bem.

O romance proibido

A obra é dividida em duas partes, sendo retratada na primeira o amor entre Josefa da Lage e Antônio de Queirós. Josefa era filha de pais extremamente conservadores, sendo sua mãe carola e seu pai casto. Sabia que eles jamais aceitariam que ela se envolvesse romanticamente com um rapaz, já que vislumbravam para a filha a mesma vida de castidade e pureza que levavam. Antônio de Queirós era um jovem militar de aparência atraente, porte atlético e desimpedido para levar a vida que quisesse. Quando os jovens se conheceram, ocorreu o inevitável: o olhar de um para o outro demonstrava que se apaixonaram.

Com a juventude à flor da pele, a atração em níveis altíssimos, a adrenalina em suas veias e a vontade de viver aquele amor, passaram a ter um caso. Encontravam-se sempre que podiam, obviamente às escondidas para que não fossem descobertos e separados pelos pais de Josefa. Tudo dava certo para o casal, até a inesperada descoberta de que, do amor que nutriam um pelo outro seria concebida uma nova vida, a jovem estava grávida.

O trágico fim do casal

O jovem casal continuou escondendo seu amor proibido enquanto pôde, mas sabiam que já não seria possível postergar a situação por muito mais tempo. Em breve a moça apresentaria sintomas de gravidez, e mesmo que pudesse disfarçá-los diante de outros, o crescimento de seu ventre não deixaria dúvidas de sua condição. Naturalmente, num dado período não foi mais cabível manter a gravidez em segredo, o estado de gestante falava por si só. Os conservadores pais descobriram a gestação da filha e, para evitar que ela e toda a família se tornassem falatório na cidade, passaram a escondê-la em casa.

Pressionado pela situação e pela distância que lhe era imposta entre sua amada, Queirós decidiu fugir e comunicou sua decisão à Josefa. Diante do nervoso que passou ao se encontrar grávida e mãe solteira, a jovem deu à luz prematuramente sua criança. Saiu de casa carregando-a sua filha, e não se teve mais notícias dela. Um jovem pastor, empregado do pai de Josefa, anda próximo ao rio quando avista a moça se suicidando misteriosamente, e avisa seus patrões.

Posteriormente é descoberto que Josefa não teve intenção de tirar a própria vida, tudo não passou de um trágico acidente. A jovem andava próximo ao rio com a filha nos braços, quando a criança por desventura caiu na água. A mãe imediatamente atirou-se no rio para salvar a filha, mas acabou por perder a vida.

A menina vinda do rio

Inicia-se então a segunda parte do livro quando um caseiro encontra no rio uma criança que, para a sua surpresa, ainda estava com vida. Cria a menina com amor de pai e passa a chamá-la de Maria Moisés, pela semelhança de sua história com a do menino Moisés, personagem de relato bíblico que foi encontrado pela filha de Faraó num cesto no rio. Maria cresce uma moça de bem, caridosa, decidida em ajudar as crianças órfãs e carentes que encontrasse. No princípio ela cuida de apenas duas crianças, pois eram as únicas que necessitavam de seus cuidados no momento. Porém, o número de crianças não parou de aumentar, e com seu bom coração a moça não cogitou dar as costas para nenhuma delas.

Sua caridade deixou Maria Moisés numa situação delicada financeiramente, empobrecendo cada dia mais. Quando suas finanças já haviam extrapolado todos os limites, precisou hipotecar sua casa, sem saber como faria para continuar vivendo e ajudando as crianças necessitadas.

Retomando a relação de pai e filha

Numa grande coincidência da vida, Antônio de Queirós, pai de Maria, retorna ao Brasil disposto a descobrir o que realmente aconteceu com Josefa, o grande amor que nunca esqueceu, e com sua filha que sequer conheceu. Ouviu relatos sobre os acontecimentos da época, e soube também do aparecimento de uma criança pelo rio na mesma época em que sua ex-namorada perdeu a vida no mesmo rio tentando salvar a filha. Assim, imediatamente imaginou que Maria fosse sua filha perdida e passou a observá-la. Notou que a moça possuía bom coração, ajudava as crianças e passava por grave crise financeira. Assim Queirós, que voltara como importante general dá para Maria dinheiro suficiente para quitar todas as suas dívidas com direito à grande quantia excedente, e lhe revela que é seu pai, contando para moça a história de seu nascimento. Abraçam-se emocionados, em lágrimas, e assim termina a obra.