Iracema

“Iracema” do escritor brasileiro José de Alencar foi publicado no ano de 1865 se tornou uma espécie de incógnita da Literatura Brasileira. Para muitos era visto como um poema em prosa, haja vista o lirismo amoroso predominante e a tão explorada linguagem indígena em português; para outros que consideravam seu enredo e a expressão do Indianismo – característica da primeira fase do Romantismo em solo nacional – a obra se tratava de um romance explícito. Fato é que Alencar explorou “Iracema” para debater sobre o cruzamento entre o índio e o europeu, donde nasceria o brasileiro. A finalidade dessa exploração era mostrar ao brasileiro – num ano em que a nação completava 43 anos – a necessidade de valorizar e ter orgulho de sua história e suas origens, para poder então realmente considerar-se uma nação soberana e em liberdade.

Iracema

Foto: Reprodução

Primeiro Contato

Martim Soares Moreno era um jovem guerreiro branco, estrangeiro que, ao chegar no Brasil fez amizade com os índios pitiguaras. Numa certa ocasião afastou-se da tribo e avistou uma bela jovem a banhar-se no riacho – seu nome era Iracema. Ao perceber que estava sendo observada, lançou uma flecha que acertou o rapaz, mas prontamente arrependeu-se ao perceber que o havia magoado. Assim, ela o levou para sua tribo, onde todos o acolheram como amigo e o hospedaram, acolhendo-o.

Iracema era filha do pajé Araquém, uma virgem de aparência e bondade deslumbrantes, pertencente a tribo dos tabajaras, habitantes do interior. Após algum tempo como hóspede, Martim descobre que haveria uma grande celebração para Irapuã, o chefe da tribo, que os comandaria em breve numa guerra contra os pitiguaras. Sabendo-se amigo da tribo rival, caso o fato fosse descoberto Martim seria morto pelos tabajaras, assim decide fugir. Iracema o impede, dizendo ao rapaz que Caubi, seu irmão, poderia guia-los com segurança pela mata quando chegasse, pedindo que o esperasse.

Nascendo o Carinho

Com a convivência entre dois belos jovens, o afeto passou a surgir e aumentava cada dia. Martim e Iracema acabaram se apaixonando, e esse sentimento seria mais um obstáculo para a integridade física do rapaz. Irapuã também estava apaixonado por Iracema, e decide a qualquer custo matar seu oponente. Enquanto isso, Martim descobre que além de ser filha do pajé, sua amada também era guardiã do segredo de jurema, o que a proibia de ter qualquer relacionamento amoroso, forçando-a a permanecer solteira. Assim, o rapaz decide fugir aldeia e sofre uma tentativa de morte por parte de Irapuã, mas se salva.

Numa noite sonha que possui Iracema, sem imaginar que de fato ela estava se entregando a ele. Por isso, quando o rapaz decide fugir novamente para salvar sua vida, a índia lhe conta que o sonho fora real e se dispõe a partir com ele. Poti, chefe dos pitiguaras, considerava Martim como a um irmão, e foi o primeiro a ser procurado por ele. Lamentavelmente, Irapuã e outros tabajaras os haviam seguido, dando início a um sangrento confronto entre as tribos.

Mudança de foco

Apesar de sofrer e sentir-se culpada pela morte de muitos de sua tribo, Iracema passa a viver com Martim entre os pitiguaras e casam-se. A índia engravida, mas o rapaz passa a mostrar que perde o interesse por ela, sentindo falta da civilização de onde viera, mas ciente de que não poderia retornar levando consigo Iracema. Martim adota o nome indígena de Coatiabo e envolve-se em diversos combates, provocando profundo sofrimento em sua esposa por suas ausências constantes e sua frieza.

A índia começa a definhar, tamanha sua tristeza e decepção, mas Martim havia mudado seu foco, já não nutria por Iracema os mesmos sentimentos de outrora. Ao retornar de uma batalha, encontra sua esposa com seu filho – a quem deu o nome de Moacir, que quer dizer “filho do sofrimento” – em extrema debilidade. As últimas forças de Iracema foram utilizadas para lhe entregar seu filho e pedir-lhe que a enterrasse embaixo do coqueiro que gostava.

Segundo a lenda, o lugar onde a índia foi enterrada passou a ser chamado de Ceará – que significa “canto da jandaia”, a ave que Iracema possuía de estimação. Martim retornou para sua civilização levando Moacir, e quatro anos depois do ocorrido retornou para o Brasil, ajudando a implantar a fé em Cristo e convertendo até mesmo Poti. Quando o tempo lhe permitia, ia ao local onde enterrara Iracema sofrer de saudades da mulher que tanto o amara.