Histórias e Sonhos

Histórias e Sonhos é obra do escritor brasileiro Lima Barreto, lançada no ano de 1920. Embora tenha sido um escritor de sucesso – e tenha valor histórico para a Literatura Brasileira até os dias de hoje – acredita-se que o carioca fosse um homem frustrado e infeliz, o qual levava uma vida simplória e ressentia-se por receber menos reconhecimento do que acreditava merecer. O livro Histórias e Sonhos foi bem recebido pelo público e por parte da crítica, mas rendeu à Barreto também algumas inimizades, já que se trata de uma obra na qual o autor critica a sociedade, a política, a história, e tudo o mais que ele acredita não estar correto. É um total de 26 contos, cada um com uma história diferente e uma crítica ou observação por trás dela.

Histórias e Sonhos

Foto: Reprodução

Prefácio

  1. A sombra do Romariz
  2. Carta de um defunto rico
  3. Como o “Homem” chegou
  4. Eficiência militar
  5. Fim de um sonho
  6. Foi buscar lã
  7. Lourenço magnífico
  8. Manel Capineiro
  9. Milagre de Natal
  10. Miss Edith e seu tio
  11. O cemitério
  12. O falso D. Henrique V.
  13. O filho da Gabriela
  14. O home que sabia javanês
  15. Jornalista Nabor de Azevedo
  16. O meu carnaval
  17. O número da sepultura
  18. O pecado
  19. O tal negócio de “Prestações”
  20. O único assassinato de Cazuza
  21. Quando ela deu o sim, mas…
  22. Três gênios de secretária
  23. Um e outro
  24. Um especialista
  25. Um que vendeu a alma
  26. A nova Califórnia

Carta de um defunto rico – conto 2

Trata-se de uma carta escrita por um morto. Sim, quem a escreve é o defunto José Boaventura da Silva, o qual observa a maneira como os vivos lidam com a morte, ‘vivos fazendo enterros para vivos’. Ainda, faz questão de salientar o quanto está feliz por ter morrido e, assim, se livrado das pressões da vida, da falsidade das pessoas e da hipocrisia de uma vida sem sentido e direção.

Manel Capineiro – conto 8

Lima Barreto fez de Manel Capineiro uma crítica a crescente população carente do Rio de Janeiro. A estória retrata um homem português, favelado, carente de todo o necessário. Ele sobrevive dia após dia capinando capim e entregando-o com os dois bois que possui. Ao fim, os 3 – Manel e seus bois – são mortos por um trem.

O cemitério – conto 11

Um homem, ao caminhar no cemitério, começa a ler o que dizem as lápides. Então, passa a fazer comparações entre as lápides e a vida em sociedade. Ao observar o túmulo e ler o que a lápide diz, o homem passa a imaginar como determinada pessoa era em vida, quais seus hábitos, seu caráter, sua popularidade. Em alguns casos, o homem é capaz de sentir até mesmo luxúria pela pessoa falecida.

Jornalista Nabor de Azevedo – conto 15

Eis uma das grandes críticas de “Histórias e Sonhos”. Dirigida à imprensa maléfica, a estória narra os feitos de Nabor, jornalista de uma pequena e pacata cidade, a qual quase nunca lhe rendia nada para contar e assim ganhar seu dinheiro. Intrigado com a falta de acontecimentos na cidade, Nabor acaba por atear fogo numa casa, para que assim pudesse vender a noticia e ultrapassar seus concorrentes. No entanto, ele acaba sendo descoberto.

O pecado – conto 18

Muito dado às causas sociais, Lima Barreto utilizou O Pecado para criticar o preconceito racial. A estória conta que uma alma chega até São Pedro para ser por ele julgada, e ele a julga digna de para todo o sempre sentar-se ao lado direito do trono. No entanto, o escriturário apercebe-se de que a alma pertencia a um negro, e assim lhe ordena que parta para o purgatório.