Heterônimos de Pessoas

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, Portugal, no ano de 1888. Tornou-se um dos maiores poetas da língua portuguesa, com tamanha genialidade capaz de deixar qualquer crítico abismado. Líder do movimento modernista de Portugal, Fernando Pessoa escreveu e assinou diversos dos seus poemas, mas um fato intrigante, curioso e genial a seu respeito são seus heterônimos. Não eram apenas pseudônimos – nomes diferentes – que assinavam suas obras, mas sim personagens completos, inventados por Pessoa e que continham cada um seu próprio estilo literário, biografia própria, e recebiam o privilégio de assinar poemas numa mesma obra que Fernando Pessoa assinava, no caso, Heterônimos de Pessoas. Até os dias atuais a obra gera certo debate polêmico, já que cada um tem uma opinião sobre o motivo de Fernando criar os heterônimos. Alguns acreditam que ele estava sofrendo de esquizofrenia, outros que estava psicografando, ainda que estivesse apenas se divertindo com a criação dos personagens, numa genialidade que não é compreensível aos meros mortais. Calcula-se que, ao longo de sua carreira, Fernando Pessoa tenha criado mais de setenta heterônimos, sendo destes, três extremamente completos que participam da obra em questão.

Heterônimos de Pessoas

Foto: Reprodução

Alberto Caeiro

Caeiro havia nascido em 16 de abril de 1889, era órfão tanto de pai quanto de mãe, e durante toda sua vida fora criado por uma tia no campo. Pode ser considerado o maior heterônimo de Fernando Pessoa, o mestre dos heterônimos. Como alguém criado no campo e satisfeito com isso, Alberto Caeiro era um grande defensor de um modo de vida simples, sem grandes sonhos ou ilusões, muito apegado à realidade, e cujos pensamentos quase sempre derivavam de suas experiências diretas com a natureza e a vida em suas mais diversas formas. Tratava-se de um poeta muitíssimo objetivo e direto: as coisas “eram como eram”. Pensar não era uma necessidade, mas sentir era. Assim, pode-se deduzir que os seus sentimentos expostos em palavras nada mais eram do que obtidos pelo sentimentalismo humano, isento de pensamentos. No ano de 1915 Alberto Caeiro faleceu, vitima de tuberculose.

Álvaro de Campos

O personagem nasceu em Távira, na data de 15 de outubro de 1890. Formado em Glasgow, Álvaro de Campos possuía o diploma de engenheiro, mas não cogitava exercer sua profissão. Para ele, passar o dia trancafiando em um escritório, sentindo-se preso, era deveras assustador. Acabou por ser o personagem de Fernando Pessoa mais ligado ao futurismo e ao modernismo. Vivia para e pelo presente, sem afligir-se com situações passadas ou futuras. Tinha como meta transmitir através de sua poesia o espírito do mundo em evolução – modernista – ao qual acompanhava. Pode-se concluir que Álvaro de Campos possuiu ao longo de sua história três fases: pessoal; decadentista e futurista. Na fase pessoal o personagem fazia muitos questionamentos sobre si, demonstrando por algumas vezes certo abatimento e decepção; na fase decadentista, possuía forte ligação com o simbolismo, transmitindo em muitas frases grande tédio e descontentamento; na fase futurista o personagem faz ligações entre o presente e o que era considerado moderno, já que o mundo da época sofria a modernização.

Ricardo Reis

O personagem Ricardo Reis nasceu no Porto em 19 de novembro de 1887. Apesar de culto e da formação em Medicina – o que lhe renderia grande respeito e admiração para a época – Ricardo Reis não hesitou em exilar-se no Brasil quando discordou da Proclamação da República Portuguesa. Assim como Alberto Caeiro, também era muitíssimo ligado à simplicidade da vida, e totalmente apaixonado pelo campo. No entanto, o que os diferencia é que Reis não se sentia feliz ao interagir com a natureza, o que acreditava ser culpa de uma sociedade decadente que afastou cada vez mais o homem de suas raízes. Ele acreditava que o rumo da sociedade era a destruição, que todos já estavam com seus destinos devidamente traçados e, assim, deveriam apenas aproveitar ao máximo o que a vida poderia oferecer.