Helena

Publicado no ano de 1876, “Helena” é uma importante obra literária do renomado escritor Machado de Assis. Trata-se de um romance urbano, que ocorre na cidade do Rio de Janeiro e cuja temática central gira em torno de um amor proibido, de dogmas religiosos e da escolha entre o que é certo e o que é prático. Inicialmente a obra foi lançada como folhetim nas páginas do jornal O Globo, entre agosto e novembro de 1876, posteriormente foi lançada de fato como livro e, ainda, ganhou sua versão em novela televisiva nos anos que se passaram.

Helena

A nova herdeira

A obra se inicia com o falecimento de Conselheiro Vale, um admirável homem da elite. Viúvo, antes de seu falecimento o conselheiro manteve por muitos anos um caso amoroso secreto com uma senhora que havia migrado do Rio Grande do Sul. Essa mulher tinha uma filha de nome Helena, a qual o conselheiro adotou afetivamente, haja vista a ausência do pai biológico da menina – que, pensava o conselheiro, havia falecido.

Com sua morte, seu único filho legítimo Estácio, e sua irmã D. Úrsula seriam seus únicos herdeiros. No entanto, alguns dias após o falecimento de conselheiro Vale, chega a sua residência Dr. Camargo – amigo e médico da família há muitos anos – para informar que o falecido havia deixado um testamento no qual alegava ser Helena sua filha legítima, exigindo que ela tivesse os mesmos direitos de Estácio quanto herdeira, e tomasse seu lugar na família com todo o carinho e respeito que lhe fosse devido.

Para D. Úrsula, fora o maior absurdo que ela pudera ouvir em sua vida. Viúva, passara a morar com o irmão desde que sua esposa falecera, e com firmes pulsos tomava conta de toda a casa e de todos – tratando-os até mesmo como sua propriedade. Sua saúde progressivamente debilitada não lhe permitia cuidar das situações como gostaria, mas não lhe era admissível que outra pessoa o fizesse, muito menos uma ‘bastarda’.

De bastarda para querida familiar

Estácio, menos impulsivo que sua tia, decidiu que seria importante realizar o último desejo de seu pai e, assim, Helena mudou-se para a casa do conselheiro. Helena sabia que não era filha biológica do conselheiro Vale, mas não podia abrir mão da oportunidade de ascender socialmente e ficar rica. Mostrou-se uma moça extremamente educada, fina, cortês e admirável, além de bela como poucas. Imediatamente ganhou o carinho de Estácio, e aos poucos cativou o afeto de D. Úrsula, de quem passou a cuidar e zelar. O único que não se deixava levar por sua simpatia era Dr. Camargo, que tinha interesse em casar sua filha Eugênia com Estácio e não queria ver outro familiar aparecer para diminuir as partes da herança. Enquanto isso, Helena tornou-se uma verdadeira e exemplar dona da casa, cuidando de toda a família e dirigindo a casa perfeitamente, melhor do que D. Úrsula faria em seus tempos de boa saúde. Ganha o respeito não apenas da família, mas da sociedade em geral.

Estácio se impressiona com Helena a cada dia que passa, e acaba se apaixonando por ela, assim como ela por ele. Ocorre então o impasse de toda a estória: o rapaz se sentia culpado por desejar a própria irmã, vendo-se como um terrível pecador; enquanto Helena, que também havia se apaixonado por ele, sabia que não eram irmãos, mas não poderia lhe confessar tudo e correr o risco de perder a herança e seu posto na família. Helena decide manter o silêncio sobre sua verdadeira origem.

Descoberta da verdade e fim trágico

A família Vale possuía uma chácara e, ao lado desta havia uma simples casa pobre. Helena sempre visitava a chácara e, desconfiado Estácio decidiu segui-la. Flagrou então a moça saindo da casa pobre, e acabou por ferir a própria mão a fim de ter uma desculpa para aproximar-se do lugar e pedir socorro. Salvador era um senhor humilde que morava naquela casa, e prontamente o socorreu. Contou-lhe então que era o verdadeiro pai de Helena, assim como toda a história de vida da moça. Cuidou dos ferimentos de Estácio, e o rapaz foi embora.

Se por um lado Estácio poderia ficar feliz em saber que não seria pecado relacionar-se com Helena, por outro nutria profunda raiva e decepção pela moça que havia enganado toda a sua família por status e dinheiro. No mesmo dia em que descobre toda a verdade, Helena passa por uma forte chuva e fica debilitada. Enferma, encontra-se á beira da morte.

Acometido pelo grande amor que nutria pela moça, Estácio cuida dela, conta-lhe que descobrira toda a verdade e declara seu amor. Dá-lhe um beijo apaixonado, mas por fim Helena falece. Estácio, após algum período de luto, casa-se com Eugênia.