Girândola de Amores

“Girândola dos Amores” é uma obra de Aluísio Azevedo, publicada em seu formato popular no ano de 1900. No entanto, no ano de 1882 fora publicado como folhetim, sob o título de “Mistério da Tijuca” na Folha Nova. Embora seja uma obra importante da literatura brasileira, não é fácil de ser encontrada, pois se tornou um livro raro. Pode ser considerado como uma prosa ou romance, embora não o seja de todo romântico – pelo contrário, Aluízio Azevedo o romantizou pouco, idealizando por completo todos os personagens, deixando evidente toda negatividade e defeitos que cada um possuía, explorando-os para explicar o enredo da obra, ou para justificar sua situação ou o posterior fim que poderiam sofrer. Outro fato importante a ser ressaltado é que existe na obra uma considerável quantidade de personagens, o que requer do leitor mais do que a costumeira atenção, para que os administre bem na sua memória e consiga entender a estória, já que todos eles são relevantes para o seu prosseguimento.

Girândola de Amores

Foto: Reprodução

 

Girândola de Amores

Foto: Reprodução

A história se passa no Rio de Janeiro, em bairros como Tijuca, Botafogo e Rio Comprido, descrevendo bela e detalhadamente as paisagens cariocas do século XIX, que se tornam ainda mais interessantes se considerar que muitos costumes e características da população e dos bairros já se perderam no tempo. Sem dúvidas, é essencial para quem deseja sair-se bem em vestibulares e provas de concursos – ou mesmo para agregar conhecimento sobre a rica literatura nacional que possuímos – conhecer a obra de Aluísio Azevedo, lembrando que o próprio é fundador da cadeira n° 4 da Academia Brasileira de Letras, tendo por seu patrono Basílio da Gama.

Noiva abandonada

Na segunda metade do século XIX, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, uma noiva se encontra ansiosa. É o dia do seu casamento de Clorinda com o homem que ama, e ela não consegue controlar o nervosismo. O noivo, Gregório, era um belo rapaz. Na flor da idade, tinha 23 anos, traços finos no rosto e um corpo tradicional, além de exalar a sua bondade e gentileza por onde passava. O grande motivo de angústia para a noiva era o fato de que, combinados os noivos de se encontrarem na casa da moça para partirem rumo à igreja, boas horas haviam passado e o noivo não dera sinal de vida.

Não se sabia o que era pior na cabeça da pobre Clorinda: imaginar ter sido abandonada ou perceber o burburinho que o atraso de Gregório estava causando entre os convidados. Secretamente, uma de suas madrinhas envia um portador à casa do noivo, para que verifique o andamento da sua parte. Algum tempo depois, o portador volta para a casa de Clorinda, com a informação dada pelo porteiro de que em torno de uma hora atrás o noivo havia partido para a casa da noiva na companhia de um homem de idade bem apessoado que o fora buscar. Imaginava o porteiro que, naquele horário em que o portador ainda o procurava, o casal já deveria estar casado. E ele estava certo. Para piorar a situação de Clorinda, os convidados que na igreja estavam a esperarem pelos noivos, cansados da demora invadiram a casa da noiva, causando um grande escândalo.

O misterioso rapto do noivo

Enquanto isso, Gregório acorda numa sala amarela a qual desconhecia, e já se passava das dez horas da noite. Primeiramente, o rapaz dá um pulo assustado. Depois, é tomado pela frustração que se sente quando um projeto idealizado há muito tempo falha, haja vista que percebera que perdera a hora de seu casamento, imaginando a dor e sofrimento que causou a sua amada.

Foi confessado a Gregório por um conde que o havia raptado, que o cobiçado rapaz da corte deveria partir para Portugal a fim de apossar-se da grandiosa herança que o aguardava. Herança a qual ele desconhecia, e jamais ouvira falar de familiares ilegítimos, sentindo-se tonto e mal conseguindo raciocinar sobre tudo o que lhe estava ocorrendo. Quase que em forma de súplica, o rapaz questiona se não poderia casar-se com Clorinda antes da viagem, e recebe a pior sentença que poderia ouvir: surpresa e tragicamente, Clorinda e Gregório eram irmãos.

Começando a desvendar o mistério

Sabia-se que a mãe da moça era adotiva, mas jamais se imaginou que eles poderiam ter qualquer tipo de laço sanguíneo que impedisse o matrimônio com o qual tanto sonharam. Descobre ainda que seu pai – o qual pensava ter falecido já há muitos anos – havia morrido há poucos meses, e por isso aparecera então a referida herança.

Assim, parte Gregório em busca da verdade sobre o mistério que rodeia sua vida e a de sua então irmã. Cada capítulo mostra a importância de devidos personagens que inicialmente seriam terciários, para que o mistério possa então ser revelado.