Comédias da Vida Privada

Comédias da Vida Privada é obra do consagrado e atualíssimo escritor brasileiro Luis Fernando Veríssimo. Lançada em 1994, se trata de um livro composto por 101 crônicas – estórias curtas e bem humoradas sobre os temas mais comuns e irônicos do cotidiano. Aliás, é justamente por satirizar o cotidiano que Luis Fernando Veríssimo é tão conhecido e popular nos dias de hoje (atualmente com 78 anos de idade). Ele também fez sucesso como autor de teatro, roteirista televisivo, tradutor, cartunista e romancista. Mas não tem jeito, seu sucesso principal é devido às suas crônicas, algumas reunidas em livros, outras publicadas diariamente em diversos jornais por todo o Brasil. A obra Comédias da Vida Privada está dividida em 6 capítulos, sendo eles:

Comédias da Vida Privada

Foto: Reprodução

  1. Fidelidade e infidelidades
  2. Eles e ou Elas
  3. Família
  4. Pais e Filhos
  5. No bar
  6. Metafísicas

Conheça um pouco mais sobre alguns desses capítulos.

Fidelidade e infidelidades

É um capítulo inteiro sobre estórias divertidas envolvendo casos de infidelidade, ou de personagens que juravam totalmente a fidelidade eterna. Uma das mais conhecidas crônicas deste capítulo se chama “Zona Norte, Zona Sul”, e relata o caso de Vânia, uma mulher adúltera que após muita insistência decidira atravessar a cidade para encontrar seu amante. Tudo ocorreria bem, se um bandido famoso não entrasse no apartamento onde o casal estava e a seqüestrasse como refém. Vânia temia mais a reação da família – que agora deveria estar sabendo de tudo pela cobertura da mídia – do que do bandido em si, e assim lhe pede que a leve junto com ele, e à ele é para sempre fiel.

Eles &/ou Elas

O segundo capítulo de “Comédias da vida privada” traz causos de homens e mulheres que, por culpa própria ou por imprevistos causados por terceiros, acabam sofrendo algum tipo de constrangimento – no mínimo. Um exemplo excelente é a crônica chamada “O homem trocado”, a qual fala sobre um homem que durante toda a vida se considerasse trocado: fora trocado na maternidade; tivera o nome trocado no cartório; no período escolar era sempre culpado pelo que não cometia; pagava contas de telefone que nem eram dele; e ao entrar na universidade, fora impedido, pois o computador não incluiu seu nome na lista. Agora, ali estava ele, num leito de hospital voltando da anestesia da operação que acabara de ser submetido. Questionou a enfermeira sobre como havia sido a cirurgia, e ela lhe afirma que tudo ocorreu bem. Para ele, isso era muito estranho. Como nada teria dado errado em sua cirurgia de apendicite? Ao expor o pensamento em voz alta, recebe uma risada irônica da enfermeira, que pergunta: – Apendicite? Não era cirurgia para trocar de sexo?

Família

O que pode ser mais irônico e divertido do que estórias corriqueiras do âmbito familiar? Luis Fernando Veríssimo sabe que poucas coisas podem causar tanta identificação e diversão quanto a família. Assim, criou um capítulo totalmente voltado para estórias de cunho familiar. Entre as crônicas contidas neste capítulo, destacaremos a que se chama “Tios”. Conta-se a estória de dois tios, o primeiro sendo tio Paulito, um homem discreto e muito quieto, sobre o qual ninguém sabia muita coisa. Certa vez, a filha mais jovem de sua irmã foi à conferência que Prestes dava no PT, e lá encontrou o tio Paulito, mostrando-se muitíssimo íntimo do político. Encheu-se de orgulho do tio e espalhou o fato para toda a família, que o tornou um grande centro de admiração na mesa do almoço seguinte. Já Dedé, outro tio, falava muito e fazia questão de expor que já tinha trabalhado em Hollywood, aparecendo numa cena do filme “Island of Love”. Certa vez, a família toda se reúne, pois o filme passaria na televisão e queriam assistir o tio Dedé. Porém, o filme acaba e ele não havia aparecido em cena alguma. Imediatamente Dedé pula do sofá e fala em grande nervosismo: Cortaram! Cortaram!

Pais e filhos

A relação entre pais e filhos pode parecer extremamente corriqueira, mas também é divertida quando olhada de fora por pessoas que não tem ligação direta com a situação. Para verificar o fato, basta refletir em como você riria de uma situação vivida por terceiros, mas não veria graça se fosse você quem passasse por ela. No capítulo de “Pais e filhos”, a crônica “Pai não entende nada” exemplifica de forma simples o que estamos dizendo. Ela se inicia com uma filha pedindo ao pai que lhe dê dinheiro para comprar um biquíni novo. Ele questiona se ela não havia comprado um no ano anterior, mas ela lhe explica que cresceu, tinha agora 15 e não mais 14 anos, e portanto precisava de um biquíni novo. Claro, ele imaginara, um biquíni maior. Quando é surpreso pela filha: – Maior não, pai. Menor!

No bar

As conversas de bar frequentemente são sinônimas de risadas, mesmo que não se entenda bem o que está sendo dito, por motivos óbvios. O capítulo “No bar” expõe bem isso, com conversas que mesmo sem nexo ainda causam grande divertimento ao leitor.