A Carta de Pero Vaz de Caminha

Como é sabido por todos, o Brasil foi descoberto pelos portugueses. O que nem todos sabem – ou ao menos não saibam em detalhes – é como essa descoberta foi comunicada. O português Pero Vaz de Caminha, nascido em 1450, era um escritor português muito conhecido por exercer a função de escrivão de Pedro Álvares Cabral. Em 01 de Maio de 1500, Caminha escreveu o que seria considerada a “certidão de nascimento” do Brasil. É fato que Portugal tratava seus assuntos com enorme sigilo, assim a carta só foi publicada em 1817 pelo Padre Manuel Aires de Casal, em “Coreografia Brasílica”, na Imprensa Régia do Rio de Janeiro. Acompanhe resumidamente os detalhes importantes da primeira carta à fazer referência ao Brasil.

A Carta de Pero Vaz de Caminha

Foto: Reprodução

Chegada ao Brasil

Remetida para D. Manuel – o então Rei de Portugal – a carta de Pero Vaz de Caminha narra detalhadamente como sucedera a chegada dos portugueses ao Brasil. Em 09 de Março de 1500 a frota portuguesa deixava Belém/Portugal e, no dia 22 de Abril do mesmo ano avistariam sinais de terra com ervas compridas. Deram-na o nome de Terra de Vera Cruz, e um alto monte que se encontrava lá foi chamado de Monte Pascoal.

Primeiro contato com os habitantes

A seguir, Caminha descreve os primeiros habitantes que avistaram: estavam todos nus, suas peles eram pardas num tom razoavelmente avermelhado, os lábios inferiores eram furados com um osso que lá fica preso, possuíam bons narizes e rostos, os corpos estavam pintados e eles carregavam setas e arcos. Surpreendentemente, fora por parte dos habitantes locais que houve a primeira tentativa de contato, ao apontar para o colar de ouro que estava no pescoço do capitão da frota e, então, apontar para a terra, como se dissesse que ali havia ouro. Não apenas com ouro, mas também com o papagaio e um castiçal de prata agiram da mesma forma, dando a entender que ali havia os mesmos objetos, ou em alguns casos propondo uma troca.

A princípio, apesar do contato inicial, os índios se mostravam desconfiados e esquivos, mas ao mesmo tempo curiosos e interessados em todas as novidades que lhe estavam sendo apresentadas. É possível concluir que eles aceitaram trocar prata, ouro e madeira por quinquilharias européias que os portugueses lhes dessem – mesmo que não soubessem sua utilidade ou funcionalidade.

Implantando a cultura portuguesa

Com o passar do tempo, os índios se deixaram conquistar pelos portugueses, até mesmo entrando em suas embarcações e convivendo com eles. Os ajudavam no que fosse preciso, permitiam que tivessem livre acesso à aldeia e buscavam agradá-los a todo custo, fazendo tudo o que mandassem e procurando imitar suas atitudes. Para os portugueses foi vista uma grande oportunidade de implantar entre nos índios suas ideologias e crenças. Realizaram uma missa e construíram uma grande cruz para chamar-lhe a atenção à Igreja, para a religião que queriam convertê-los.

Em algumas passagens da carta de Pero Vaz de Caminha é possível notar que o grande interesse dos portugueses era dominar os indígenas, e que estes, por sua vez, o faziam ingenuamente e sem causar-lhes qualquer impedimento. Nota-se essa intenção principalmente na passagem da carta a seguir: “Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente.”.