Canaã

Canaã é um livro clássico da literatura brasileira, que foi escrito por João Pereira da Graça Aranha, que veio a ser tornar muito famoso, e conhecido por seus dois últimos nomes. Ele nasceu em 1848 na cidade de São Luiz, no Maranhão, e estudou na Faculdade de Direito do Recife, onde se tornou amigo de Tobias Barreto, que veio a influenciar fortemente a sua escrita. Por quatro anos Graça Aranha ocupou o cargo de Juiz em Porto de Cachoeiro – ES, lugar que o inspirou a escrever uma de suas maiores obras, Canaã. Depois ele tornou-se diplomata e foi morar na Europa. Foi um dos idealizadores da Semana da Arte Moderna que aconteceu em São Paulo em 1921, apesar de sua obra não ser considerada modernista.

Canaã

Foto: Reprodução

Resumo do livro

O personagem principal, Milkau, é um alemão recém chegado à uma colônia de imigrantes europeus no Espírito Santo, que decide ir para Porto do Cachoeiro. Lá ele conhece logo o armazém de um alemão chamado Roberto Schultz, que negocia vários tipos de produtos e instrumentos agrícolas. É então apresentado a Von Lentz, filho de um general alemão, com quem Milkau desenvolve uma amizade.

Shultz os apresenta ao agrimensor Sr. Felicíssimo, que estava prestes a ir medir terras em Rio Doce. Milkau tinha vontade de se estabelecer por lá, então resolveu acompanha-lo, e convidou Lentz para ir junto. No caminho Milkau e Lentz tiveram diversas argumentativas sobre as suas visões acerca da dominação alemã em cima das demais nacionalidades. Lentz, por exemplo, acredita fielmente nessa superioridade alemã, e acha que é uma questão de tempo para que eles dominem os mestiços. Ele chega a dizer que a mistura de etnias acaba gerando uma cultura inferior, cheia de mulatos que sempre serão escravos e estarão condenados a viver em meio à lutas e revoltas. Milkau, por sua vez, discordava do amigo. Este acreditava mais na humanidade, e enxergava a fusão de etnias e nacionalidades consideradas avançadas com outras consideradas mais selvagens causaria um rejuvenescimento da civilização.

Milkau por fim levanta sua casa e Lentz resolve ficar com ele, pois não tinha coragem de abandoná-lo. Ele se ocupa então das compras e viagens da casa. Os dois tinham visão de mundo e ambições diferentes, enquanto Lentz queria sempre prosperar e ter poder, Milkau tinha pretensão apenas de viver em seu pedaço de terra com paz e justiça. Ele queria uma vida simples ao lado de pessoas simples, e Lentz considerava isso como uma existência inútil. Um dia acontece uma festa no sobrado de Jacob Müller, e lá Milkau conhece Maria Perultz, uma colona que possui uma triste e solitária história que acaba por comover Milkau.

A história de Maria – Canaã

Maria e sua mãe moravam junto com um velho, Augusto Kraus, o filho dele, Franz Kraus, a nora Ema e o neto Moritz. Maria tinha um relacionamento amoroso com Moritz, mas a família desaprovava, pois desejava que ele se casasse com uma mulher rica chamada Emília. Quando o velho Augusto morre, tudo se complica para Maria. Ema envia Moritz para Jequitibá para ficar com Emília, ele parte contente, isso deixa Maria triste e desgostosa.

Maria descobre que está grávida de Moritz, e espera que ele volte para contar-lhe. Porém, sua família começa a desconfiar, e planeja uma maneira de livrar-se dela. Começam a trata-la muito mal e rigorosamente, a enchem de trabalho e quase não lhe dão comida. Um dia, trêmula e exausta Maria acaba deixando cair um prato no chão. Ema com raiva a expulsa da casa. Ela pede auxílio a um pastor da cidade, mas Ema tem grandes influências sobre ele, e por isso acaba não ajudando Maria.

Ela parte para a vila em busca de abrigo. Encontra uma estalagem, onde ela empenha sua trouxa de roupas para conseguir comida e um lugar para dormir. Milkau então, com pena de Maria, a leva para a casa de uns colonos, onde ela começa a trabalhar num cafezal. Um dia Maria acaba dando à luz ao bebê sozinha no meio do cafezal, e logo após cai sem forças. Uns porcos que estavam por perto aproximam-se para lamber o bebê ensanguentado e ele acaba falecendo. A filha dos colonos viu a cena e sem perguntar nada disse aos pais que Maria matou seu filho e o deu de comida para os porcos. Dois dias depois ela estava presa na cadeia de Cachoeiro. Milkau acredita que Maria é inocente e acompanha de perto seu julgamento, mas quando ela é condenada, ele a tira da prisão e foge com ela. Partem então em busca da “terra prometida”, Canaã.