Caetés

Caetés começou a ser escrito pelo brasileiro Graciliano Ramos no ano de 1925, e publicado em 1933. Foi lançado então pela Livraria Schmidt Editora a primeira obra do autor, sucessora de muitos clássicos importantes por vir. A história – que se passa na cidade de Palmeira dos Índios, onde Graciliano vivera – não fora bem acolhida pela crítica. Os mais exigentes críticos até mesmo disseram que a obra era mais compatível com Eça de Queirós do que com o próprio Graciliano, e que se tratava apenas de uma “técnica literária para que o autor pudesse preparar-se para os posteriores grandes livros”. Não se podia negar que era uma obra equilibrada, límpida e arguta – principalmente se considerarmos a época em que fora escrita – no entanto, não era o que a crítica esperava. Ainda assim, apesar de todos os contratempos, Caetés tornou-se um dos maiores e mais emblemáticos livros da Literatura Brasileira, lembrado por muitos até hoje – em 15 de julho de 2013, a obra completou 80 anos e, como forma de homenagem, lançou-se uma edição comemorativa. Atualmente, Caetés é comumente comentado e tido como leitura obrigatória em provas de concursos e vestibulares, portanto de extrema importância para o conhecimento do indivíduo.

Caetés

Foto: Reprodução

Inveja e ambição

Na pacata cidade de Palmeira dos Índios, situada em Alagoas, vive o personagem principal da estória: João Valério. João Valério é conhecido por todos como um homem tímido, introspectivo e introvertido, o qual não era visto conversando com amigos ou paquerando mulheres. O que nem todos sabiam é que, apesar da introspecção, João era extremamente fantasioso e nutria uma paixão: Luisa. Trata-se de uma bela mulher, porém casada com Adrião, dono da empresa onde João trabalha como funcionário.

Luisa percebeu o interesse do rapaz, e o nutria cada vez mais. Quando não fora mais possível conter a paixão, João Valério abriu mão de sua timidez para viver um caso com Dona Luisa. Seu marido, Adrião, muito a amava, mas também vivia constantemente ocupado cuidando do trabalho da firma, o que a fez pensar que o caso passaria despercebido.

Tragédia anunciada

De fato, como Luisa imaginara, Adrião não percebeu que ela o estava traindo com seu protegido, João. Porém, alguém percebeu, e fez questão de avisar Adrião. O marido traído recebeu uma carta anônima informando que sua mulher o estava traindo já há algum tempo com João Valério, o rapaz que acolhera e em quem confiava. Como poderia lidar com tamanha vergonha? Afinal, se um terceiro já havia percebido, quantos mais não sabiam que Adrião estava sendo duplamente enganado? Era decepção demais para que ele pudesse suportar. E não suportou. Extremamente triste e pesaroso, Adrião decidiu pela opção mais cruel e definitiva de todas: tirou a própria vida.

Cada um por si

A princípio, o golpe da morte de Adrião fora muito duro para João Valério. O rapaz sentiu-se profundamente arrependido, culpado pela morte de alguém que sempre tentou lhe ajudar, e prontamente decide abandonar Luisa. No entanto, o rapaz de condição humilde também se sentia tentado pela vida burguesa, e à custa do amigo e protetor falecido, conseguiu se tornar sócio da firma.

Já Luisa, mulher de grande ambição, pouco se importou com o abandono que sofreu de João, muito menos com a morte de seu marido. Já começou a planejar o que faria para ficar com tudo o que Adrião deixou, mesmo que para isso precise enganar o próprio João ou quem quer que seja.