Caçadas de Pedrinho

Publicado em 1933, o livro “Caçadas de Pedrinho” é uma obra do escritor infantil Monteiro Lobato. Trata-se de uma continuação do clássico “O Pica-Pau Amarelo”, com novas histórias e aventuras de seus personagens. É verdade que Lobato não escreveu apenas livros infantis, fez também importantes traduções, além de cartas, crônicas, prefácios, artigos e um único Romance. No entanto as obras infantis compõe ao menos metade de toda a sua obra literária, e foram elas que o consagraram como um dos maiores e mais importantes escritores brasileiros do século passado.

Caçadas de Pedrinho

Foto: Reprodução

Organizando a caçada

A história se passa diante de uma descoberta do Marquês de Rabicó, morador do sítio de Dona Benta e, sem dúvidas, o mais andejo entre eles. Rabicó conhecia todas as redondezas do sítio, até mesmo os locais mais afastados e desconhecidos por muitos. Isso incluía o capoeirão dos Taquaruçus, um local de cerrado muito fechado que Dona Benta proibia as crianças de visitarem, já que era impossível prever o que poderia habitar por lá. Buscando orelhas de pau que crescem em troncos podres, Rabicó resolveu se aventurar por essa mata e teve uma surpresa desagradável como ele jamais imaginara: ouvira rastos e miados de gato, mas muito mais fortes e altos do que um simples gatinho seria capaz de produzir. No pensamento de Rabicó, apenas um gato gigante seria capaz de fazer todo aquele barulho, concluindo assim que só poderia se tratar de uma onça. Imediatamente fugiu, correndo o mais rápido que pôde tamanho o susto que levara.

Ao chegar no sítio, foi imediatamente questionado por Pedrinho sobre o que teria visto no mato que lhe fizera voltar tão rápido, esbaforido e com os olhos arregalados. O Marquês de Rabicó explicou ao garoto o que aconteceu, estimulando a imaginação e criatividade férteis que só uma criança poderia ter. Pedrinho, por sua vez, conta a novidade para Narizinho, que fica assustada e o incentiva a contar o que sabe para Dona Benta e Tia Nastácia, mas é impedida pelo garoto que já prevê a reação protetora delas e teme ser impedido de seu plano. Convence Narizinho de que devem caçar a onça, como crianças valentes que são, e para isso precisam reunir companheiros para organizar a caçada. Narizinho não era tão valente como queria demonstrar, mas não aceitava ser vista como frágil ou medrosa, e assim topou entrar no plano do irmão.

O início da aventura

Escondidos de Tia Nastácia e Dona Benta, as crianças convocaram o Visconde de Sabugosa, o Marquês de Rabicó e Emília para juntarem-se á eles em sua caçada, e em poucos dias se organizaram para dar início ao plano. Saíram do sítio rumo ao capoeirão onde Rabicó havia ouvido os indícios de onça, e lá sentiram o coração gelar: na terra úmida estavam marcados os rastos grandes e profundos que a onça deixara.

Silenciosamente andaram pela mata, buscando qualquer indício de proximidade do bicho, quando ouviram rastos lentos em sua direção. Mesmo com muito medo, mantiveram-se firmes no plano de matar a onça, e com dificuldade o conseguiram. Sentindo-se honrados, cantaram gritos de guerra em cima da onça morta, a amarraram com cipós e levaram-na para o sítio. Ao chegarem perto, logo avistaram Dona Benta e Tia Nastácia aflitas com o sumiço das crianças, que já estavam fora por uma tarde inteira. A aflição só aumentou quando avistaram a onça e se deram conta do perigo em que as crianças se puseram. Passado o susto, todos entraram para descansar.

A vingança dos animais

Toda a cena de caçada acontecida no capoeirão não passara despercebida: os animais que ali viviam presenciaram tudo e ficaram estupefatos com a coragem e determinação das crianças, decidindo que alguém deveria vingar a pobre onça e proteger os demais, já que viam nas crianças uma grande ameaça. Armaram então um plano de guerra contra eles.

Por sorte, Emília havia feito amizade com um casal de besouros que, ao tomar conhecimento da gravidade da situação, prontamente avisou a boneca do que estava por vir. Assim, todos buscaram se prevenir da melhor forma e preparar-se para a guerra que estava por vir, desenrolando ainda mais aventuras e peripécias. A aflição de Dona Benta e Tia Nastácia tinha apenas começado, mal sabiam onde as crianças de fato estavam se metendo.

Um novo amigo

Enquanto a guerra fria era travada entre as crianças e animais, um rinoceronte acaba por fugir do circo, e encontra no sítio um local para se abrigar e buscar tranquilidade. Após muitos sustos e desconfianças, as crianças passaram a brincar com o animal e a entender que ele não era um inimigo infiltrado. Diversas pessoas buscam resgatar o animal e leva-lo de volta para o sítio, sem sucesso. As crianças então se apropriam do animal e ele passa a ser um novo amigo delas, ajudando-as a resolver o problema que criaram com os animais do capoeirão.