Banguê

Banguê foi um romance realista escrito por José Lins do Rego, um escritor brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, que foi considerado um dos romancistas regionalistas mais prestigiados em toda a literatura nacional, onde ele aparece lado a lado com grandes nomes como Érico Veríssimo, Graciliano Ramos e Jorge Amado. O seu primeiro romance, titulado Menino de Engenho, foi publicado em 1932 depois de muito sacrifício, porém teve um retorno rápido e enorme, pois o livro foi muito elogiado pela crítica.

Banguê

Foto: Reprodução

Ciclo da cana-de-açúcar

Depois do sucesso José Lins resolveu continuar a escrever livros sobre os engenhos açucareiros tipicamente nordestinos, utilizando de uma visão cada vez mais realista e menos romantizada ou nostálgica. Ele publicou cinco livros que nomeou “ciclo da cana-de-açúcar”, o primeiro foi Menino de Engenho (1932), o segundo foi Doidinho (1933), depois veio Banguê (1934), O Moleque Ricardo (1935), e por último foi o livro Usina (1936). Além da sensibilidade à flor da pele, também é característica desses livros a sinceridade diante da vida, onde José deixa uma forte e clara denuncia sócio-política, mostrando de forma realista a situação do país.

Resumo: Banguê

Este livro é o último de uma trilogia sobre o personagem Carlos Melo, cuja história começou a ser contada nos livros anteriores, Menino de Engenho e Doidinho. Em Banguê Carlos Melo já tem concluído seus estudos e consegue formar-se como advogado, como era o sonho de seu avô, o coronal José Paulino. Porém, ele sentiu-se completamente incapaz de exercer a profissão. Logo após sua formatura, Carlos decide voltar para o Engenho Santa Rosa, após dez anos afastado do lugar onde cresceu ao lado de seu avó, mas chegando lá ele depara-se com uma grande surpresa: o avô está muito doente, e como reflexo, o engenho está indo de mal a pior. Então Carlos passa a viver melancolicamente, triste pela decadência de seu avô, e ao mesmo tempo com saudade de seus tempos de infância naquele engenho, de onde ele guardava tantas memórias boas. Seus dias se resumiam a deitar-se numa rede e deixar-se levar pelos devaneios.

Depois de algum tempo, chega ao Engenho Santa Rosa a mulher de um parente pobre de Carlos, chamada Maria Alice, pedindo por ajuda. Ele começa a envolver com a mulher e eles têm um caso, tornando-se amantes apaixonados. Pouco tempo depois chegou ao engenho o marido de Maria Alice, e isso bastou para que ela esquecesse Carlos e voltasse sua atenção inteiramente para o esposo. Porém, ele percebe alguma coisa e começa a viver enciumado da esposa. Apesar de Carlos amar Maria Alice, ele não conseguiu lutar por ela, mostrou-se mais uma vez impotente e incapaz de correr atrás e lutar pelo que ele queria.

Em meio a tudo isso, o engenho é ameaçado pela Usina São Felix, localizada nas terras vizinhas, cujo proprietário, Zé Marreira, foi um antigo morador do engenho e agora tornou-se ganancioso e quer para si as terras férteis de Santa Rosa. Pois, com o declínio de Santa Rosa e a cada vez maior ascensão da usina, chega um momento em que Zé Marreira vai atrás de comprar o engenho de Carlos, recentemente deixado em herança pelo seu avô, para ampliar a usina. E do jeito que o engenho vai mal, a família está quase falida, então não parece restar solução se não vender.

Porém, após sofrer com a morte de seu avô, Carlos Melo começa a lutar desesperadamente para salvar o engenho, que guardava tantas boas memórias sobre sua infância feliz, sua vida, e seu avô que acabara de partir. Porém, em um determinado momento, Carlos não consegue mais e acaba cedendo à luta. Mas, para não dar o braço a torcer, ao invés de vender as terras para o dono da Usina, ele as vende para o seu tio, Juca de Melo, por um valor extremamente baixo, e acaba voltando a morar na cidade.

A crítica deste livro mostra de forma realista o grande declínio do patriarcado rural brasileiro, ao mesmo tempo em que acorda para uma grande revolução que estava acontecendo na base econômica do país, e a ascensão de novos valores, além de apontar para um sério problema na educação do Brasil, a partir da formação acadêmica insuficiente.